Poesias, crônicas, contos e dramaturgia escritas por: Geraldo Bernardo, tendo como cenário o sertão, seus personagens e mitos.


Sousa-PB, 
Última Postagem

AMANHECER

Escrito por : Geraldo Bernardo em quarta-feira, 3 de janeiro de 2018 | 6:39 AM


Caminho cedo com a Pequena. Espalhafatosa cadela, ansiosa.
Exploramos o despertar do Sorrilândia, o chiar das vassouras e voz líquida minguadas das torneiras no racionamento.
Um sai de moto e uma porta se fecha com ajuda de uma mão que esconde o resto do corpo de camisola.
Cães vadios, mendigos de lares, pernoitados entre sacolas de lixo, garimpam sobras de assados do réveillon.
As padarias dão o aroma de assado ao amanhecer.
Pensamentos, planos e projetos desanuviam meu juízo enquanto nuvens esparsas, avermelham o tapete do céu para receber o sol, estrela maior do dia via lácteo.
Os pardais acordam experimentando seus instrumentos, logo, forma-se uma sinfonia batutada pela luz que se amplia.
Imagino que é hora de honrar a quem arquitetou todas estas coisas.
Obrigado!


O PERU DE NATAL

Escrito por : Geraldo Bernardo em domingo, 31 de dezembro de 2017 | 4:11 AM



Seu Júlio tinha fama
no bairro onde morava.
De tudo ele cuidava:
de buraco de lama;
e, ainda esquentava a cama
de uma solitária qualquer.
A coitada de sua mulher
já estava acostumada
vivia sendo chifrada
mas dizia: - É a mim que ele quer.

Morador muito antigo
daquela localidade,
bairro famoso da cidade,
dizia-se grande amigo
e pronto para dar abrigo
a qualquer pessoa carente.
Assim, virou presidente
da Liga de Moradores.
Fazia muitos favores
e adorava ditadores.

Um ano, véspera de eleição,
teve uma ideia original.
Fez grande ceia de Natal
para anunciar a decisão
em colocar-se a disposição
seu nome pra vereador.
Antes de perguntar ao eleitor
quis conquistar o partido.
E, como havia decidido,
só convidava apoiador.

Veio o prefeito do lugar,
de gravata laranja,
esbanjando sua franja.
Também o chefe militar
e o juiz não podiam faltar.
O deputado corrupto,
trouxe um capanga bruto
e um radialista babão.
E para mostrar devoção,
um padre para abençoar.

Mesa posta, hora do jantar.
Um enorme peru assado
apetitoso e dourado,
atavio da mesa ovalar.
Cada qual quer comentar
do naco que se serviu.
O juiz, diz, mordendo o pernil:
- Vigoroso como a lei.
Foi quando Valter Dysney
No meio da história surgiu.

Era unigênito, Dysneyzinho,
com as mãos em concha na boca
ria, um risinho de voz rouca:
qui, qui, qui... baixinho.
Seu Júlio olhou de ladinho.
A secretária do partido
Vestia micro vestido
deitou-se sobre a mesa
e disse ter certeza:
o melhor peru comido.

O padre empedernido
comenta: quem come asa,
não se cansa e nem atrasa.
Dysneyzinho, divertido,
com seu riso contido
qui, qui, qui cá, cá, cá, cá;
Seu Júlio olha pra lá e pra cá;
a mãe cutuca o garoto
e ele continua maroto:
Qui, qui, qui cá, cá, cá, cá.

O deputado comilão
abarrotou o prato e falou:
- Namorador como sou
não posso perder ocasião
e como manda a tradição
vou comer este sobrecu
com uma dose de pitu.
Disse na gargalhada
e com sua faca afiada
cortou um naco de peru.

Dysneyzinho não suportou
riu desbragadamente
ecoando em todo ambiente.
Seu Júlio já se enfezou,
ríspido, ao filho perguntou:
- Diga logo, o que tens tu?
Quer provocar um sururu?
E ele respondeu mangando
- Quantas vezes, tô lembrando,
que comi o cu deste peru.




O BRASIL NOS FAZ DE JEGUE.

Escrito por : Geraldo Bernardo em quinta-feira, 30 de novembro de 2017 | 7:08 AM




Ser brasileiro hoje em dia
É ter vida de jumento
E suportar o sofrimento.
No lombo o relho assovia
Pela mão da burguesia
E a gente sente e nada faz,
Finge que está tudo em paz,
Só pensa no futebol.
Labutando de sol a sol
E o Brasil indo para trás.

Este país hoje é retrato
De uma vil ditadura
Para tudo há censura.
Veem maldade em todo ato
Em exposição ou retrato
No arco íris e nas cores
Que contrarie os valores
De quem se apossou do país.
E o povo, tal jegue infeliz
É quem sofre os dissabores.

Vivemos sob a chibata
De uma grande quadrilha.
Em todo canto há armadilha
Pra roubar nossa prata.
Uma política ingrata
Entreguista, vil e infame.
Se tem alguém que reclame
Já é chamado de petralha.
Chamam herói quem atrapalha
É cínico e dá vexame.

Com vilania e indecência
Estão liquidando o país
Embaixo de nosso nariz.
Irão mudar a Previdência
Sem pedir nossa anuência
Vai-se a aposentadoria
Alento para quem queria
Descansar na velhice.
Os heróis da cretinice
Acabaram com essa alegria.

O Congresso brasileiro
É mentor da canalhice
Junto com o vampiro vice
Mais o Supremo boleiro
Que só pensam em dinheiro
E contra o povo fazem o mal
Dando por ninharia o pré-sal
A Amazônia e até a Eletrobrás.
Este país caminha para trás
E sua gente pro bamburral.

Sobe a luz e o gás de cozinhar
E baixa nossa autoestima.
Aumenta a gasolina
Sem ter teto pra parar.
Só vejo tudo piorar.
E, como jegue em rodovia
Que não relincha ou assovia
No acostamento pastando
Ficamos só esperando
Morrer atropelados um dia.













O PASTOR MACONHEIRO

Escrito por : Geraldo Bernardo em terça-feira, 28 de novembro de 2017 | 5:40 AM



O PASTOR MACONHEIRO é o primeiro livro de uma série ainda inacabada, pois, todos os dias a realidade brasileira nos dá nova inspiração.
Neste primeiro volume o PASTOR se revela e conta sua iniciação. Os demais volumes de formação da igreja já estão prontos. Todos serão PUBLICADOS pela internet, na plataforma CLUBE DOS AUTORES.
Na estrofe abaixo o PASTOR diz qual sua principal argumentação teológica e filosófica.

“Fique limpo pra história
da forma que fiquei também.
Em minha igreja o perdão é a jato
junto com arrependimento vem.
Revele-me seu segredo
e tiro sua alma do degredo
por qualquer nota de cem.”


Em breve tem mais... ZÉ PEZÃO (secretário do PASTOR) é assassino, pedófilo e etc; PUREZINHA(amante do PASTOR); o PRIMO CIGANO (gerente da Fundação) etc.
Acompanhe a SÉRIE. COMPRANDO  pelo site:


<a href="https://www.clubedeautores.com.br/book/245062--O_PASTOR_MACONHEIRO"><img alt="Compre aqui o livro 'O PASTOR MACONHEIRO'" src="//s3.amazonaws.com/media.clubedeautores.com.br/assets/share/clubedeautores_promote_1.jpg" /></a>

Beijar mulher com aliança no dedo. Atenção! Tem sabor de chumbo quente.

Escrito por : Geraldo Bernardo em segunda-feira, 27 de novembro de 2017 | 4:22 PM


Está dito no nono mandamento
A orientação para boa atitude,
Para quem quer preservar sua saúde
E espera viver o envelhecimento.
Recomenda-se frear o enxerimento
E ter comportamento decente,
Pois, respeito é bom e preserva os dentes.
E, você aprenda logo enquanto é cedo:
Beijar mulher com aliança no dedo.
Atenção! Tem sabor de chumbo quente.

Longe de mim estimular a violência
Porém, já vem de longe a tradição:
O machismo vinga com sangue a traição.
Recomenda-se que tenha prudência
E resolver com conversa e paciência.
O cemitério está cheio de valente
Do tempo passado e do presente
Que queria provar não ter medo.
Beijar mulher com aliança no dedo.
Atenção! Tem sabor de chumbo quente.

Ninguém no mundo quer ser chifrado.
Chamego de casal não é pra sócio
Mas, dizem que chifre é igual consórcio
A qualquer hora você pode ser sorteado.
Este é um assunto muito complicado
Muita gente que fica até doente
E depois de encher a cara de aguardente
Quer resolver o que estava em segredo
Beijar mulher com aliança no dedo.
Atenção! Tem sabor de chumbo quente

Coração é terra que ninguém manda
E paixão não há hora para se revelar
As vezes numa simples troca de olhar
A cabeça da pessoa se desanda
Que nem trabalho de quimbanda
Afasta tal sentimento da gente.
É arrebatador, nos deixa imprudente
Que só de pensar nos enche de medo.
Beijar mulher com aliança no dedo.
Atenção! Tem sabor de chumbo quente.

Fica o recado pros navegantes:
Se há problema não está em nosso querer.
Seja ele, seja ela é melhor conhecer
Como vão proceder em vida os amantes.
Já que os sentidos não têm mandantes
Vivamos todos o instante presente.
Não seja proprietário de gente
Nem seja moderno por arremedo.
Beijar mulher com aliança no dedo.
Atenção! Tem sabor de chumbo quente.










SONHOS E PESADELOS

Escrito por : Geraldo Bernardo em terça-feira, 31 de outubro de 2017 | 11:29 AM


Numa casa de roça bem alpendrada
É ótimo para se cochilar a tardinha.
Recomenda-se comida levinha
Para não sonhar coisa atrapalhada.
Uma vez empanturrei-me de buchada
Regada com bastante aguardente.
Fui dormir sentindo o corpo quente
Tive pesadelo, uma mazorca!
O azul do céu sobre a terra se emborca
Em minha rede, sonho um sonho diferente.

Senti-me paralítico e arfante
Tentei falar, minha boca não tinha voz.
Fiquei mergulhado num escuro atroz
Invadiu-me a energia delirante
E uns ruídos de gritos bem distante
Faziam um turbilhão em minha mente.
Então a rede encheu-se de merda quente
Ao sentir a sensação de quem se enforca.
O azul do céu sobre a terra se emborca
Em minha rede, sonho um sonho diferente.

É ruim quando acaba na hora do bem bom
E fica aquele gosto de quero mais.
No reino onde toda proeza é capaz
Posso navegar pelas ondas do som
Pra ser médico ou astronauta tenho dom.
As vezes vou visitar quem estar ausente
Acho-a num mundo além de minha mente,
Iluminado ofereço-lhe alborca.
O azul do céu sobre a terra se emborca
Em minha rede, sonho um sonho diferente.

Um jumento cobrindo uma jumenta
Uma cena sem pudor, ali no terreiro!
Na sombra de um frondoso juazeiro
Uma franga pedrês, faceira e ronhenta,
Finge escapar do galo que atenta.
A cadela engatada trinca o dente.
Vejo na direção do sol poente,
Um suíno parafusando a porca.
O azul do céu sobre a terra se emborca
Em minha rede, sonho um sonho diferente.

Divagando em estado de letargia
Sinto cheiro, tato e desespero.
Sobre meus ombros pesa o mundo inteiro
E meu caminhar parece ser de agonia
Não sei se é madrugada, noite ou dia
Se estou no futuro ou no presente
Se sou são, canceroso ou demente;
No peito um aperto de contraporca.
O azul do céu sobre a terra se emborca
Em minha rede, sonho um sonho diferente.

MENINOS EU VI!

Escrito por : Geraldo Bernardo em terça-feira, 26 de setembro de 2017 | 9:00 PM



Numa tarde quente vi o futuro
E não era lá muito distante
Vi algo que foi muito agonizante.
Um túnel que saía da luz pro escuro.
Um soldado de cassetete duro
Espancando uma jovenzinha
Uma casa sem ter nada na cozinha
E um trabalhador desempregado
Eu preferia estar morto e enterrado
Do que saber do mal que se avizinha.

Vi passar o ano de dois mil e dezoito
No Brasil não haver eleição presidencial,
Milicos assumirem como emergencial
O Supremo e Legislativo afoito
Deram a essa medida foro e coito.
Protelaram o pleito com ar de cinismo
Alegando implantar o parlamentarismo
E em dois mil e vinte fizeram um pleito
Onde já se sabiam que o tal eleito
Era um carioca adepto do nazismo.

Gilmar Mendes, primeiro ministro,
Escolhido e o cargo era vitalício.
O povo passou a viver grande suplício
Pra negros e mulheres era sinistro
Só no livro contábil ter registro
Viraram então farta mercadoria
Mão de obra barata pra burguesia.
Pobre não entrava na faculdade
Ia ao trabalho já aos cinco de idade
E apenas uma merreca recebia.

Vi muita mulher morrer sem parir
Coqueluche, tétano e disenteria
Hospital e ambulância não mais havia.
Na rua ninguém mais podia se reunir.
Qualquer denúncia fazia você sumir
Internet ficou cara e limitada
Com a comunicação controlada
Verdade era só na rede globo
Contrariá-la? Ora! Ninguém era bobo.
Pois, ia parar numa cela gelada.

Vi o medo na cara das pessoas
E regojizo de gente safada.
Vi muito covarde em debandada
E alcaguete dedurar gente boa
Só os crentes pentecostais riam à toa
Eles gozavam de muita regalia
No Brasil era só quem tinha alegria
Realizavam tarefa importante
Curar gays e qualquer simpatizante
Para os pastores era a maior galhardia.

Vi a morte dos povos da floresta
E a fogueira queimar mãe de santo.
Vi a mãe, nas ruas banhada em pranto
Velar seu filho baleado na testa.
Contar muita coisa ainda me resta
No transe a imagem tanto ia quanto vinha.
Deus não quer o Brasil doente desta tinha
E eu espero ter sonhado o sonho errado
Eu preferia estar morto e enterrado
Do que saber do mal que se avizinha.














QUAL É O SEU LUGAR?

Escrito por : Geraldo Bernardo em quarta-feira, 13 de setembro de 2017 | 6:59 AM



Ela não sabe se me olha nos olhos ou baixa a vista. Indecisão besta.
Então eu olho firme, com cara de mal, para ela se ligar quem manda nesta relação:
- Qual é o seu lugar?! Pergunto em voz alta. Independente de estar na presença até do Papa.
Muda, ela recolhe-se ao seu cubículo.
E assim é que tem que ser. Esse negócio de conversa amena, tem isso comigo não. Eu mando ela obedece, é a lei natural. Deus criou o mundo assim, qualquer coisa, reclamem lá com Ele.
Ela sabe o lugar dela na nossa relação, não reclama e, além disso, ela sabe que além de respeitar ela deve me agradar, as vezes é até chato:
- Feche essas pernas... Já tive que dizer várias.
Será tão difícil para ela compreender que estou cansado. Que não tenho tempo para desfrutar o prazer de algum carinho?
Certas vezes fica com aquele olhar pidão. Finjo que nem é comigo. Não gosto de ficar dando atenção toda hora, vicia.
“Naqueles dias” fica só deitada, acho que as cólicas que a derruba. Passo perto dela e só consigo um fiapo esgueirado de olhar. Um fungado curto, como se quisesse dizer: - chato!
Quando ela está quieta, sem querer dengo, então me aproveito, faço todos os agrados, chamo até pelo nome.
De uma coisa tenho certeza, sou quase um Deus para ela. E, quanto mais ela se agarra em mim, vindo cheia de fungados, de carinhos, mais, sinto uma vontade quase sádica de perguntar-lhe, com gritos de feitor.
- Qual é o seu lugar?! - E vê-la desconfiada, cabisbaixa indo esconder-se em seu cubículo. É uma cena que me enche de poder.


Video - Vale dos Dinossauros

Arquivo do blog

Receba atualização via E-mail

Seguidores

Facebook

Quem sou eu

Postagens populares

Tempo Agora

Total de visualizações

 
Suporte : Tradução e Edição | Johny Template | Mas Template
Copyright © 2013. Matuto Beradeiro - Todos os direitos reservados
Template Created by Creating Website Published by Mas Template
Tecnologia : Blogger