Poesias, crônicas, contos e dramaturgia escritas por: Geraldo Bernardo, tendo como cenário o sertão, seus personagens e mitos.


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Na gaiola de meu peito, a saudade vive a chorar.

Escrito por : Geraldo Bernardo em terça-feira, 11 de julho de 2017 | 9:13 AM




Carrego, desde menino
Uma sentença na vida.
Trago a alma dolorida.
Porém, esta dor eu confino
Num espaço pequenino
Onde ela vive a purgar
em lágrimas a reclamar
que trato-a de mau jeito.
Na gaiola de meu peito
A saudade vive a chorar.

Presa tal qual passarinho
Há uma vontade que implora
Libertar-se a toda hora.
Reclama que este seu ninho
É todo forrado de espinho,
E quando a mando se calar
Ela me faz desconcentrar
E mostra que sou imperfeito.
Na gaiola de meu peito
A saudade vive a chorar.

Talvez a sorte traçada
Em outra existência minha
Seja esta dor que caminha
Com esta alma tão cansada.
Se houve em vida passada
Algo a quem deixei penar
Hoje vive a me atormentar
Exigindo seu direito.
Na gaiola de meu peito
A saudade vive a chorar.

Seja na alegria ou na dor,
Não importa o sentimento.
A saudade com seu invento
Revolve-me feito um trator,
Encontra lágrimas onde for
E, quando tento segurar
O coração inicia um pulsar
Como se houvesse um defeito.
Na gaiola de meu peito
A saudade vive a chorar.

É pouco o tempo presente
Para tê-la deixado assim
Com raízes profundas em mim.
Não sei como um ou outro sente
Mas, é um sentimento quente
Que vive a se manifestar,
Não importa hora nem lugar,
Querendo sair para o eito.
Na gaiola de meu peito
A saudade vive a chorar.

Invade minha memória
Sem importar se é noite ou dia
Nos sonhos se mostra vadia
E corrompe toda história.
Uma lembrança aleatória
Sempre costuma buscar
Talvez, para maltratar
A vida deste sujeito.
Na gaiola de meu peito
A saudade vive a chorar.

Vivemos a mesma prisão.
Sinto-me um carcereiro
Que também é prisioneiro.
Trancada em meu coração
Vive causando explosão
Que é impossível controlar.
Algum momento vai chegar
Para atender o seu pleito.
Na gaiola de meu peito
A saudade vive a chorar.

Quando for libertada
Sei que seguirá bela
Também seguirei com ela
Por desconhecida estrada
E não precisarei de nada
Que este mundo possa nos dar.
Então iremos repousar
Eternos no mesmo leito
E na gaiola de meu peito
A saudade não vai chorar.



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